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Alerta de terremoto no celular: o que esses apps fazem e quanto valem no Brasil

Um celular não prevê terremoto. O que alguns apps fazem é avisar segundos antes do tremor chegar, e só onde existe uma rede preparada para isso. Veja como funcionam o Earthquake Network, o MyShake e o My Earthquake Alerts.

Sempre que um terremoto forte aparece no noticiário, a busca por “alerta de terremoto no celular” dispara. A ideia é atraente: um aplicativo que avisa antes de o chão tremer. A parte verdadeira dessa ideia é mais modesta e mais interessante do que a promessa. Nenhum app prevê terremotos. O que existe são sistemas que percebem um tremor que já começou e avisam quem está um pouco mais longe, alguns segundos antes de as ondas mais fortes chegarem.

Este artigo explica como esse aviso funciona, o que três apps conhecidos fazem de fato e o que muda para quem mora no Brasil, onde tremores fortes são raros.

Como um alerta de terremoto funciona

Um terremoto libera energia em forma de ondas que atravessam o solo em velocidades diferentes. As primeiras a chegar, chamadas ondas P, são mais rápidas e costumam causar pouco estrago. Logo depois vêm as ondas S e as ondas de superfície, mais lentas e responsáveis pela maior parte do tremor que derruba objetos e danifica construções.

O alerta vive nessa diferença de tempo. Sensores perto do epicentro detectam as ondas P, um sistema calcula onde o tremor começou e qual a sua força, e a mensagem sai pela internet, que é muito mais rápida que qualquer onda sísmica. Quem está a dezenas de quilômetros pode receber o aviso alguns segundos antes do tremor forte. Quem está muito perto do epicentro normalmente não recebe a tempo, porque o chão já está tremendo quando o cálculo termina.

Alguns segundos parecem pouco, mas dão para se abaixar, proteger a cabeça e se afastar de janelas. Em trens e em cirurgias, sistemas automáticos usam esse intervalo para frear ou pausar.

Existe um segundo tipo de app, bem mais comum: o que mostra terremotos que já aconteceram. Ele avisa, minutos depois, que houve um tremor em tal lugar com tal magnitude. É útil para quem tem família em países sísmicos ou gosta de acompanhar o assunto, mas não é um alerta antecipado.

Earthquake Network

O Earthquake Network nasceu de um projeto de pesquisa na Itália e tem uma ideia curiosa: usar os próprios celulares como sismógrafos. Todo smartphone tem um acelerômetro, o sensor que percebe quando você vira a tela. Quando muitos aparelhos de uma mesma região registram um movimento parecido ao mesmo tempo, o sistema entende que pode ser um terremoto e envia o alerta para os usuários ao redor.

Para que o celular funcione como sensor, ele precisa estar parado, e o projeto orienta deixá-lo carregando para isso. Um aparelho no bolso ou na mão balança o tempo todo e não serve como medidor. Por isso a detecção funciona melhor em lugares com muitos usuários, e a rede fica mais forte à noite, quando os celulares estão na mesa de cabeceira.

Além da rede de celulares, o app mostra terremotos registrados por agências sismológicas e deixa os usuários relatarem se sentiram o tremor. O cartão acima mostra que ele é gratuito, com anúncios e compras dentro do app.

No Brasil, a rede de celulares tende a ter pouca utilidade prática, porque tremores sentidos são raros e o número de usuários espalhados pelo país é pequeno. O que sobra, e funciona, é a lista de tremores e os relatos de quem sentiu.

MyShake

O MyShake é o app do Laboratório de Sismologia da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele entrega alertas antecipados de verdade, ligados à rede oficial de sensores da costa oeste dos Estados Unidos. A descrição na loja é clara sobre o alcance: os alertas cobrem a Califórnia, o Oregon e Washington.

Fora dessas regiões, o MyShake funciona como um mapa de terremotos recentes no mundo e como material educativo sobre o que fazer durante um tremor. Isso ajuda a entender a nota mais baixa do cartão: parte das avaliações vem de pessoas que instalaram o app esperando alertas no próprio país e não receberam nenhum.

Para quem mora no Brasil, o MyShake faz sentido em uma situação específica: uma viagem para a costa oeste americana. Instalar antes de ir e ativar as notificações permite receber o mesmo alerta que os moradores recebem.

My Earthquake Alerts - Map

O My Earthquake Alerts é o exemplo mais conhecido do segundo tipo de app. Ele não tenta detectar nada. Reúne os terremotos registrados por agências sismológicas e mostra tudo num mapa, com filtros por magnitude e região e notificações quando um tremor acima do limite que você escolheu acontece.

A notificação chega depois do tremor, no tempo que a agência leva para publicar o registro. Para quem acompanha parentes no Chile, no Japão ou no México, é uma forma rápida de saber que algo aconteceu e onde. Como aviso para se proteger, não serve, e o app não diz o contrário.

O alerta que já vem no Android

Muitos celulares Android têm um sistema de alertas de terremoto do próprio sistema operacional, que também usa os acelerômetros dos aparelhos. A disponibilidade depende do país e da versão do Android. Para conferir no seu aparelho, abra as Configurações e procure a área de segurança e emergência. Se houver uma opção de alertas de terremoto, você pode ver se ela está ligada. Se não houver, o recurso não está disponível para a sua região ou para o seu modelo.

Vale conferir antes de instalar um app de terceiros com a mesma finalidade. Quando o recurso do sistema existe, ele não depende de o app estar aberto nem de configurar permissões de notificação para mais um aplicativo.

E no Brasil, tem terremoto?

Tem, mas quase sempre fraco. O Brasil fica no meio de uma placa tectônica, longe das bordas onde acontecem os grandes terremotos do mundo, como a costa do Chile. Mesmo assim, o país registra tremores todos os anos. A grande maioria tem magnitude baixa e passa despercebida, ou é sentida como uma vibração rápida.

O monitoramento é feito pela Rede Sismográfica Brasileira, e o Centro de Sismologia da USP publica os tremores registrados no país. Entre os casos lembrados está o de 1955, no Mato Grosso, apontado como o maior tremor já medido no território brasileiro, e o de 2007 em Itacarambi, no norte de Minas Gerais, que ficou conhecido como o primeiro com morte registrada no país.

Para quem mora aqui, então, um app de alerta antecipado tem pouca serventia no dia a dia. Os apps de mapa são uma curiosidade útil, e servem para acompanhar o que acontece com quem você conhece em países com mais atividade sísmica.

Alertas que funcionam para desastres no Brasil

Os riscos mais comuns no Brasil são outros: chuvas fortes, enchentes, deslizamentos e vendavais. Para esses, o canal oficial é a Defesa Civil. Qualquer pessoa pode se cadastrar para receber alertas por SMS enviando o CEP para o número 40199. O serviço é gratuito, e dá para cadastrar mais de um CEP, como o de casa e o de parentes.

A Defesa Civil também passou a enviar alertas diretamente para os celulares que estão numa área de risco, sem necessidade de cadastro. Esse tipo de mensagem aparece na tela com um aviso sonoro diferente, mesmo que o celular esteja no silencioso. Se você receber um, leia com atenção: ele foi enviado para a sua região.

O que fazer se sentir um tremor

A orientação dos órgãos de defesa civil de países sísmicos é parecida no mundo inteiro. Abaixe-se, proteja a cabeça e o pescoço e segure-se em algo firme, como uma mesa resistente. Fique longe de janelas, espelhos e móveis que podem tombar. Não corra para fora durante o tremor, porque boa parte dos ferimentos acontece com objetos que caem das fachadas. Depois que o chão parar, saia com calma se o prédio parecer danificado e siga as orientações das autoridades locais.

Perguntas comuns

Algum app consegue prever um terremoto?

Não. A ciência ainda não consegue prever quando e onde um terremoto vai acontecer. Os apps de alerta antecipado avisam sobre um tremor que já começou, e só ganham alguns segundos de vantagem sobre as ondas mais fortes.

Vale a pena instalar um app de alerta morando no Brasil?

Como alerta antecipado, rende pouco, porque tremores fortes são raros aqui e as redes de detecção estão em outros países. Como mapa de tremores no mundo, pode ser interessante. Para desastres comuns no Brasil, o cadastro no 40199 da Defesa Civil é o que mais ajuda.

Esses apps gastam muita bateria?

Os apps de mapa gastam pouco, porque só recebem notificações. O Earthquake Network, quando usado como sensor, pede que o celular fique parado e carregando, justamente para não pesar na bateria durante o dia.